Colômbia aposta em bibliotecas como antídoto contra a violência

17 jun

Agencia EFE – Terra Educação – 11/06/2013 – São Paulo, SP

Investir em casas de cultura e bibliotecas não contribui apenas para a educação, mas também promove a reconciliação em zonas de conflito, segundo declarou à Agência Efe a Ministra de Cultura da Colômbia, Mariana Garcés, que participou do 15º Salão FNLIJ do Livro para a criança e o jovem, no Rio de Janeiro. A ministra vê estes locais como `espaços neutros por excelência, onde a liberdade de opinião está presente e onde os conflitos terminam por meio da discussão, da crítica respeituosa, e não através da violência`, disse.

Gárces esteve no Brasil para participar da edição deste ano do Salão, que tem a Colômbia como país homenageado e acontece até amanhã no Centro de Convenções SulAmerica. Também vieram vários escritores e ilustradores colombianos, entre eles, José Rosero, Claudia Rueda, Yolanda Reyes e Irene Vasco. A ministra apresentou o sistema de bibliotecas públicas da Colômbia como uma experiência de sucesso, já que, para ela, o investimebibliotecanto em leitura, cultura e música é fundamental para mudar situações de conflito. Como exemplo, ela citou o caso de duas comunidades da cidade de Cali, onde as gangues se enfrentavam violentamente até que foram construídas uma escola e uma mega biblioteca na fronteira entre os dois bairros, em um espaço chamado Água Branca. A biblioteca tem seis andares e obrigou os estudantes, que antes viviam em guerra, a compartilhar salas de aula, os mesmos espaços esportivos e livros.

[…] As comunidades indígenas e palenqueras recebem textos em seus próprios idiomas e participam de projetos culturais em suas bibliotecas ou malocas, onde se desenvolve sua vida cultural e social. Segundo a Ministra, o governo do presidente Juan Manuel Santos construiu 100 bibliotecas públicas nos últimos quatro anos, superando as 16 construídas no mesmo período na administração anterior. Para financiar o programa, se usa a décima parte de um imposto de 4% de consumo de celulares, explicou. `Isso faz com que os próximos ministros que ocuparem o cargo no tenham a obrigação de destinar estes recursos para o projeto, mesmo que mudem seus focos de ação`, apontou.

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