O gargalo do ensino

16 out

Antônio Gois/Demétrio Weber – O Globo – 14/10/2012 – Rio de Janeiro, RJ

O ensino superior brasileiro, que vinha crescendo até meados da década passada em ritmo acelerado, dá preocupantes sinais de que está perdendo fôlego, e a causa mais comum apontada por especialistas para esse problema está mais embaixo: na crise do ensino médio. Dados tabulados pelo GLOBO na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, de 2006 a 2011, o número de alunos em cursos de graduação cresceu somente 15%, ou 822 mil estudantes a mais. Nos cinco anos anteriores, de 2001 a 2006, essa variação havia sido de 56%, ou 1,9 milhão a mais. Como resultado desse crescimento menor, o percentual de jovens de 18 a 24 anos estudando no ensino superior em 2011 foi de 14,6%, apenas 0,2 ponto a mais em relação a 2009. A meta do governo no Plano Nacional de Educação é chegar a 33% em 2020.

O quadro revelado pela PNAD é ainda mais preocupante se considerado que o país ainda está distante dos países mais ricos. Um relatório divulgado no mês passado pela OCDE (organização que reúne, em sua maioria, nações desenvolvidas) mostra que o Brasil, entre 37 países, é o que apresenta a menor proporção de jovens de 25 a 34 anos com diploma universitário (12%), ficando atrás mesmo de México (20%) e Chile (35%), e bem distante da líder Coreia do Sul (63%).

Destrinchando os dados por setor público e privado, a PNAD mostra que, nesses dois anos, o ensino privado chegou a registrar leve queda de 2%. A boa notícia foi que, do ponto de vista do setor público, o número de alunos aumentou 16%. No entanto, como o setor particular tem muito mais estudantes e, portanto, pesa mais no resultado final, o crescimento do ensino superior como um todo foi de 1,8% nesses dois anos, o menor dos últimos dez anos pela pesquisa.

Nenhuma resposta to “O gargalo do ensino”

  1. Luana Ferreira outubro 17, 2012 às 8:37 pm #

    A preocupação relacionada ao ensino não deve apenas permear o campo da quantidade de alunos/ vagas mas, mais ainda a qualidade relacionada aos cursos oferecidos. Devemos estar atentos a qualidade do ensino, os conteúdos e a eficacia da aplicação deste ensino para que a totalidade de alunos envolvidos no processo de aprendizagem estejam envolvidos no processo de qualidade que possibilitem uma aprendizagem significativa e que agreguem valor para si e a sociedade em que vivem .

  2. Laís Leal outubro 24, 2012 às 9:58 am #

    Precisamos investir na qualidade do ensino, em novos métodos, pois essa defasagem se inicia desde a escola nos Ensinos Fundamental e Médio. Os jovens vem perdendo o interesse pela educação e conseguentemente perdendo o interesse de ter uma formação. Seria o momento de parar e pensar, “o que fazer pra resgatar o interesse desses jovens”?

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