Estudo reforça a ideia de que a repetência prejudica o aluno

18 set

ANGELA PINHO – Revista Época – 15/09/2012 – Rio de Janeiro, RJ

Clipping, 17/09/2012

Quando o assunto é educação, há um ranking internacional em que o Brasil fica no topo. Não é o de matemática, leitura ou ciências. Nessas disciplinas, os alunos brasileiros estão no 53o lugar entre 65 países avaliados. Na lista da repetência, de quem mais reprova, o país sobe para a quarta posição. A taxa de repetência no Brasil está mais próxima da realidade da África Subsaariana que de qualquer outra região do planeta. No ensino fundamental, dez em cada 100 alunos são barrados a cada ano, principalmente nas escolas públicas. No médio, 13 em 100 foram reprovados em 2011, o maior nível desde que a estatística passou a ser divulgada, em 1999.

Se tudo continuar como está, o prognóstico para esses alunos é temerário, revela um novo estudo da organização Todos Pela Educação. O trabalho comprova com estatísticas abrangentes aquilo que os educadores já intuíam: a repetência compromete o aprendizado do estudante para o resto da trajetória escolar. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da entidade usaram dados da Prova Brasil, do Ministério da Educação, que avalia em português e matemática todos os alunos das escolas públicas de ensino fundamental.

Na 4a série, só 13% dos atrasados atingiram desempenho adequado em português. O índice entre os que tinham a idade correta (10 e 11 anos) ficou em 37% – resultado também insuficiente (leia o gráfico acima). Um descompasso semelhante entre repetentes e alunos em idade adequada foi verificado em matemática. Outra conclusão da pesquisa foi que a dificuldade de aprendizagem do aluno reprovado aumenta ao longo do tempo. Isso ocorre porque a deficiência de conhecimento é cumulativa. Quem não sabe fazer multiplicação não entende raiz quadrada. Quem não decifra uma frase simples não é capaz, mais tarde, de compreender o sentido de uma metáfora. “Existe um mito de que escola boa é a que repete, mas os números mostram que isso não é verdade”, diz Priscilla Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação. “O repetente se sente desestimulado, perde os antigos amigos e torna-se estigmatizado. Sua nota jamais alcança a dos que passaram de ano, mesmo que a diferença inicial entre eles seja pequena”, diz o economista Naércio Menezes Filho, autor de pesquisas sobre o tema.

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Nenhuma resposta to “Estudo reforça a ideia de que a repetência prejudica o aluno”

  1. Fernanda Vieira setembro 19, 2012 às 7:17 pm #

    O que fazer com o aluno que tem dificuldade de aprendizagem? reprovar?
    Acho que a reprovação acaba tirando a motivação do aluno.

  2. Vanessa Felício Teixeira setembro 24, 2012 às 8:01 pm #

    A repetência por si só não resolve o problema e isso não é novidade para mais ninguém. Ao invés de tornar a reprovação como primeira opção para alunos que apresentam um desempenho aquém do esperado, deve-se desenvolver um trabalho, quem sabe um projeto ou até um programa para promover este aluno ajudando-o a suprir tais déficits.

  3. Raquel outubro 3, 2012 às 2:24 pm #

    Os educadores em minha opinião deve-se desenvolver um trabalho grupal para diagnosticar o aluno.Trabalhar de forma prática os conteudos,com exemplos do dia a dia,que os alunos aprendem a explorar,pesquisar.Por que a reprovaçao acaba tirando a motivação do aluno,então o que fazer?

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