Trote nas universidades

18 fev

 O Tempo, 17/02/2011 – Belo Horizonte MG

“A lei já proíbe lesão corporal, o homicídio ou qualquer exagero praticado no trote. O que precisamos é de conscientização, uma nova cultura que não aceite tragédias como brincadeiras”, defende o advogado Fábio Romeu Canton Filho, coordenador da campanha contra trotes violentos da OAB- SP (Ordem dos Advogados do Brasil)

Esse jeito duvidoso de dar boas vindas surgiu quase que simultaneamente ao aparecimento das primeiras universidades na Idade Média. Há registro de trotes na França, no século 14. Na Alemanha, na Universidade de Heidelberg , a partir de 1491, os novos alunos eram obrigados a andar nus e ingerir fezes de animais. Ao fim do trote, comprometiam-se a repetir, no ano seguinte, a dose de violência contra seus calouros. Foi o início da perpetuação do sadismo. (…)

Mas para o especialista, o trote é a vingança dos veteranos a uma postura autoritária do professor. “Penso que os veteranos querem descontar o sofrimento a que são submetidos com alguns professores. Como não podem se vingar diretamente, fazem isso com os calouros”, explica Antônio Zuin, que define o trote como uma relação entre sadomasoquismo e soberba intelectual. “Soberba no sentido de querer domesticar o outro”, define o professor, também autor do livro “O trote na universidade: Passagens de um rito de iniciação”.  

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